Esse texto não é sobre rancor. Aliás, ele é o tipo de texto que eu queria evitar de postar aqui. Mas hoje, por algum motivo, eu preciso vir aqui e colocar no ‘papel’ o que sinto. Não sei se vou postar, se vou manter e nem porque dividir.
Faz quase dois anos que sai da casa dos meus pais pra morar sozinha e eu não sei se essa foi uma boa idéia. Vejo minhas amigas que ficaram lá e continuaram morando com os pais e não sei se não era isso que eu deveria ter feito. Não por achar que elas estão melhor ou pior que eu, mas apenas porque não sei se tanto sacrifico vale a pena.
Eu tinha uma casa confortável, pais que sempre faziam tudo pra mim. Larguei isso e de lá pra cá só arrumei contas e responsabilidades gigantes, incertezas, problemas, decepções, que eu não sei se teria se tivesse ficado onde estava. Tento imaginar como estaria, mas nem isso eu consigo. Eu sempre me imaginei morando sozinha, em um apzinho bacana, moderno. Venho correndo atrás disso desde então, mas a pergunta que faço agora é: pra que?
É incontestável que amadureci muito nesses dois anos e hoje estou muito mais ciente do que é a vida, mas será que é bom ficar ‘tão madura’? Tão fodamente consciente de toda a merda em que estamos metidos aqui no planeta azul? Eu já não sei se essa minha ânsia de querer sempre mais da vida, de mim, é uma qualidade ou um imenso defeito.
Não sei se invejo os rasos. Os ignorantes que vivem aquela vidinha de novela, que eu sei, é falsa, mas parece ser tão mais fácil e gratificante que a minha. E se meu benefício em relação a eles é poder ficar sozinha comigo sem me odiar, não sei se está funcionando.
Pode parecer que sim, mas não estou reclamando. Não estou triste ou mesmo achando que minha vida é uma merda. Não é. E eu vivo como meu dinheiro permite do jeito que eu quero . Mas hoje eu me sinto extremamente confusa em relação às escolhas que fiz. Se eu escolhi o caminho mais incerto e desgastante, cadê o benefício disso? Queria ao menos por um momento uma vitória. Aquela incontestável, que te mostra que você foi pelo lado mais difícil, mas o ‘prêmio’ no final, será maior.
Não acho que estou me expressando direito aqui. Não quero ganhar nada. Quero colher os frutos do que plantei pra minha vida clichêeeeee e perceber que eles são gostosos e quase livre de agrotóxicos. Queria sair de mim por um momento e ver minha vida como um filme, para daí conseguir enxergar os tais frutos que talvez existam e hoje não consigo ver.
Daqui de dentro não estou vendo e, Deus, como a grama do vizinho é bonita! Temo pelo meu quintal. Não quero olhar pra trás e descobrir que tanto esforço, tanto da tal independência Oi, D. Pedro? (que segundo a minha mãe eu tenho), me são de fato benéficas e não somente aquilo que torna tudo mais difícil sem um propósito. Eu, como um cachorro, só quero a certeza da recompensa por ter levado o jornal e quem sabe, de quebra, levar uma coçadinha.
Que fique claro, não venham aqui dizer que minha vida tá ótima, que tenho trabalho, amigos, família, saúde e uma beleza que deixaria a Giselão humilhada conforto, porque eu sei de tudo isso. Sei que tudo poderia estar pior. Eu só tenho direito de vir aqui e dizer que me sinto confusa. Que não sei se queria mesmo ser a tal mulher-independe-que-mora-sozinha.
Bom, o fato é, voltar pra onde estava é impossível. Eu escolhi, fiz e está feito. O que posso fazer agora, é mudar tudo de novo, de trabalho, cidade, país, planeta… só quero ter então a certeza que isso vá resolver. Não quero ter um enorme trabalho pra mudar tudo e daqui 6 meses estar me sentindo exatamente igual.
E assim acaba o texto. Confuso e sem sentido. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
Dividiram o Rancor